perfil do paciente

Vontade de viver

Com força e determinação, grandes avanços são alcançados

Anderson de Moura é um jovem cheio de vida. Inquieto, não para um instante. E talvez seja por essa mesma inquietude que Anderson esteja se recuperando tão bem hoje.

Aos 20 anos, o rapaz sofreu um grave acidente. No dia 6 de dezembro de 2009, Anderson e seu irmão, André, foram ao estádio de futebol do Coritiba para ver como estava o ânimo da torcida diante da derrota para o Fluminense. Inconformados com o rebaixamento, alguns torcedores tentaram invadir o campo. A polícia interveio e, no confronto, um tiro de borracha atingiu acidentalmente a cabeça do garoto.

Anderson sofreu traumatismo craniano e teve perda de massa encefálica. Um mês de internação e três cirurgias depois, finalmente recebeu alta para poder voltar para casa.  O jovem teve a fala e o movimento direito do corpo comprometidos e perda da visão periférica. Mas nem por isso se deixou abater. Sempre positivo, procura encarar os obstáculos com muita determinação para vencê-los. “Depois de um ano e meio, agora é só alegria. Cheguei em casa com uma traqueostomia e precisando de cadeiras de rodas para me locomover. Hoje, ando sozinho e a cada dia fico mais independente. Minha reabilitação está sendo muito boa: não faço as coisas com a mesma agilidade de antes, mas me sinto feliz por poder fazê-las”, fala o rapaz.

Desde que pode retornar à sua casa, Anderson recebe, de segunda a sexta-feira, a visita do fisioterapeuta Leandro Pereira. A dedicação do profissional e o esforço do paciente criaram uma linda parceria em busca dos avanços. “O Leandro é um excelente profissional. Enquanto faço a fisioterapia, conversamos sobre muitas coisas, ele me anima e me dá muita confiança. Sei que está aqui para me ajudar. É como um irmão para mim”, revela.

O garoto acredita que essa relação é possível devido ao fato de poder ser cuidado em seu lar: “Estar em casa é mais tranquilo, fico a vontade para fazer os exercícios, e tenho toda a atenção para mim. Faça chuva ou faça sol, sei que ele estará aqui para auxiliar no meu progresso”.

Anderson tem os dias agitados. Além da fisioterapia, ainda faz hidroterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e sessões de terapia com uma psicóloga. Contando sempre com o apoio emocional da mãe, Maria Inês do Nascimento, o jovem é só elogios a ela: “Minha mãe é a melhor mãe do mundo. É amiga, atenciosa, companheira e está comigo em todos os momentos que preciso”.

Antes do acidente, Anderson era chef de cozinha em um renomado hotel de Curitiba. Hoje, a antiga profissão ainda é uma paixão, que agora exerce como hobby. Ele conta que, mesmo com dificuldade, ainda se aventura entre as panelas de sua cozinha, experimentando novas receitas.

Essa garra de Anderson é admirável. Luta pela sua recuperação com um entusiasmo que impressiona. Seu próximo passo será reaprender a ler e escrever. Para ele, apenas mais um dos inúmeros desafios que ainda quer vencer.